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Cerca de 590 crianças estão à espera de adoção em MG

October 30, 2017

 

Fugindo às estatísticas, o casal Bruna e Welder queria  adotar uma menina entre cinco e 11 anos. E na mesma semana em que eles se casaram, já iniciaram o processo de adoção. “Pensamos em crianças mais velhas porque sempre fiz trabalho voluntário em abrigos e via que eram esses meninos e meninas que estavam ali; não havia bebês, esses eram adotados”, contou Bruna. Alguns meses depois, o casal conheceu as gêmeas Alice* e Clara*, de oito anos. De domingo a domingo, eles visitavam as pequenas no abrigo. O período de aproximação durou 60 dias até que, em maio deste ano, o casal conseguiu levar as garotas para casa. “É como se as meninas tivessem estado aqui desde sempre, desde que começamos a namorar. São nosso xodó”.

Mas nem sempre o encontro entre quem deseja adotar e quem está à espera por um lar acontece. De acordo com a Coordenadoria da Infância e da Juventude do TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), 587 crianças e adolescentes aguardam por adoção no Estado, sendo 71 delas em Belo Horizonte. Entre os muros dos abrigos, com horário para tudo e uma vida institucionalizada, sem afeto de uma família, existem muitas histórias dramáticas e falta de esperança. “Grande parte das crianças tem mais de oito anos. E muitas chegaram nesses locais há pelo menos seis”, alegou a presidente da GAABH (Grupo de Apoio à Adoção de Belo Horizonte), Vanici Veronese, que também criticou a falta de agilidade da Justiça nos processos de adoção.

Do outro lado, cerca de 4,7 mil pessoas estão na fila para adotar. Conforme o TJMG, a disparidade dos números se explica pelo perfil de busca de meninos e meninas – do total de interessados, 745 optam por adotar crianças brancas e apenas 73 negras. O número dos que buscam por bebês de até um ano de vida salta para 882 (veja no quadro ao lado). “Quanto maiores as crianças, maior o medo das famílias em adotá-las. Elas já chegam com toda uma história de vida e as pessoas têm que mostrar que não vão mudar o passado delas, mas apresentar um futuro melhor”, enfatizou Veronese.

As novas famílias

Com o surgimento de novas configurações familiares, essa realidade vem se transformando em Minas. Há poucos anos, quase todos os que queriam adotar eram casais que não conseguiram engravidar e, por isso, desejavam um bebê. Hoje, há também casais homoafetivos e mulheres e homens solteiros, muitos deles dispostos a adotar crianças mais velhas. O levantamento apontou que na lista de espera, 919 desejam crianças de até dois anos; até 3 anos, 968; até 4 anos, 651; até 5 anos, 552; e até 6 anos, 310. “A adoção tardia tem aumentado muito. E os grupos de apoio têm ajudado também a alterar esse cenário. No caso dos casais homoafetivos, o preconceito ainda é grande, mas a forma como eles lidam com isso mostra que estão muito bem preparados para a criação de uma criança. Casais heteroafetivos também têm ampliado o perfil de escolha”, explicou a dirigente.

É o caso de Bruna e Welder. Para ajudar no processo, eles recorreram ao site Busca Ativa, que traz crianças e adolescentes denominados “de difícil colocação” nas famílias. Foi quando localizaram Alice e Clara em um abrigo da capital. “Para mim, foi um reencontro de almas. Eu pensava: como assim elas ainda não faziam parte da minha vida?”, afirmou a psicóloga.

No ano passado, foram efetivadas 1.031 adoções no Estado. E para todas essas famílias, a jornalista Luciana Neves, que há quatro anos adotou o pequeno Marcelo com apenas seis dias de vida, tem um recado: dizer sempre a verdade sobre a adoção. Quando o filho estava com apenas dois anos, Neves começou a contar para ele a história de um menino e de uma moça, abordando o delicado tema. Até que um dia a criança percebeu que se tratava da história deles. A experiência gerou o livro “O menino que morava na nuvem”, que ela tem divulgado nas escolas.

Até que Marcelo chegasse a sua casa, foram quase 10 meses de espera. Um turbilhão de emoções dominou a jornalista: medo e alegria se misturavam. “Quando passou por mim, na hora disse: é meu filho”, finalizou.

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